Acromegalia pode ser identificada também por dentista

Sete a dez anos é o tempo, em média, que leva para que a acromegalia, uma doença causada pelo excesso de produção do hormônio GH na fase adulta, seja diagnosticada.Considerada uma doença incomum, com prevalência de 50 a 70 casos por milhão de habitantes, a acromegalia tem seu pico de incidência entre os 30 e 50 anos. Aparecevagarosamente, sem apresentar sintomas específicos e, na maioria das vezes, é causada por um tumor na glândula hipófise.




O excesso de produção do GH pode se manifestar por meio do aumento no tamanho das mãos e pés, sudorese, engrossamento da voz, aumento no diâmetro do tórax, ronco excessivo, insuficiência cardíaca, intolerância a glicose, desfiguração facial (mandíbula maior que o maxilar, aumento do nariz, testa e lábios), aumento da língua (macroglossia), além de perda espontânea dos dentes, entre outros. A partir dessas mudanças faciais atípicas ocorridas na fase adulta, o dentista é um importante especialista no processo de diagnóstico primário da doença, podendo identificar os sintomas e direcionar o paciente a um endocrinologista para a solicitação de exames específicos para um diagnóstico clínico e eficaz.

De acordo com o ortodontista Paulo Roberto Câmara, o tratamento interdisciplinar permite atender todas as necessidades do paciente. “Uma vez que surgiu a suspeita da doença devemos encaminhar para o seu correto diagnóstico por meio da intervenção de um neurologista ou do endocrinologista”, afirma Câmara. Somente após o diagnóstico e escolha da terapia (cirúrgica e/ou radioterápica e/ou medicamentosa) o dentista irá trabalhar no preparo para a correção das sequelas decorrentes do crescimento desordenado, sendo a ortodontia utilizada no preparo para a cirurgia ortognática. “O propósito dessa cirurgia é devolver a harmonia facial e a função mastigatória perdida pela discrepância no tamanho dos ossos da maxila e da mandíbula”, completa o dentista.

É comum que as alterações faciais apresentadas pelo desenvolvimento da doença terminem por provocar também um efeito devastador na autoestima dos pacientes. “O crescimento desordenado sobre os ossos da face afeta diretamente a forma com que esses pacientes se veem e isso aumenta consideravelmente o risco de depressão entre as pessoas com acromegalia”, pontua Câmara. Nestes casos, o psicólogo tem uma tarefa importante durante o tratamento do acromegálico, ao lado do acompanhamento de um endocrinologista, neurologista e dentista.

Além das alterações físicas visíveis, o portador de acromegalia pode sofrer complicações que resultam em outras doenças como pressão alta, derrame, diabetes, artrite, apneia do sono, doenças respiratórias entre outras. Por causa das complicações, a mortalidade entre os portadores de acromegalia é de duas a três vezes maior do que na população geral, diminuindo em 10 anos a expectativa de vida desses pacientes1.

Embora o diagnóstico seja difícil, a identificação da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado proporcionam um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos. Mesmo que complexa, a acromegalia possui tratamento, sendo a cirurgia a primeira opção na maioria dos pacientes.

Nos últimos anos, novos medicamentos permitiram um grande avanço no combate à doença, diminuindo a produção ou a ação do hormônio de crescimento, atenuando muitas das deformidades e resolvendo vários sintomas relacionados. Exemplo é o Somavert, cujo princípio ativo é pegvisomanto, um medicamento injetável indicado para o tratamento da acromegalia, para pacientes que não responderam adequadamente às terapias convencionais com outros medicamentos, cirurgia ou radioterapia.



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