Velório de dentista assassinada em Portugal comove moradores de Caiabu


O velório da dentista Luana Pinheiro Golin Camargo, que teve início na manhã desta quinta-feira (5), na Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, gerou forte comoção no município de Caiabu.


Luana-Pinheiro-Golin


A jovem, de 28 anos, foi assassinada a facadas pelo próprio marido, Marcos Camargo, de 40 anos, na semana passada, na clínica odontológica em que trabalhava, em Lisboa (Portugal).

Depois da angústia pela espera que durou mais de uma semana, os parentes e amigos só puderam realizar o velório nesta quinta-feira (5), com a chegada do corpo a Caiabu, onde será sepultado ainda hoje. A missa de corpo presente ocorrerá às 14h. Já o enterro está programado para as 16h.

Entraves burocráticos no traslado do corpo de Portugal para o Brasil impediram que o velório e o sepultamento ocorressem antes.

Luana nasceu em Caiabu e se formou em odontologia na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente.

No velório, familiares e amigos vestiram uma camiseta confeccionada especialmente em homenagem a Luana. Na roupa, foram colocadas uma foto da dentista e ainda uma frase que ela publicou em uma rede social na internet, um dia antes de morrer, na qual diz: "Não tenha medo da mudança. Coisas boas se vão para que outras melhores possam vir!".

Com uma movimentação intensa de pessoas no velório, o clima entre todos é de muita tristeza. A população de Caiabu está muito abalada desde o ocorrido, pois a família de Luana é muito conhecida na cidade.

A rua em frente à Igreja Matriz foi interditada e a Polícia Militar está no local para dar apoio. Duas ambulâncias também estão no velório para o atendimento de alguém que necessitar de socorro. A cidade, que tem cerca de quatro mil habitantes, parou nesta quinta-feira (5).

O primo de Luana, Darci Pinheiro, de 46 anos, disse ao iFronteira que “o que mais judiou e cansou a família foi a demora para o corpo chegar de Portugal”. Mas afirmou que “o que fortaleceu a família foi a população, que constantemente prestava apoio e solidariedade”. “A cada instante, alguém passava em casa para dar uma palavra de conforto e carinho”, relatou.

A dona de casa Michele de Oliveira Pereira, de 21 anos, disse que “a cidade ficou muito abalada” desde que ficou sabendo da morte de Luana. “Não se fala de outra coisa no munícipio”, comentou. Michele enfatizou também que “a cidade estranhou o assassinato e espera por justiça”.

Viviane lara Dias, estudante de 19 anos, disse que “foi uma surpresa para todos” o assassinato da dentista e também salientou que “o pessoal não fala de outra coisa na cidade”. A moradora afirmou ainda que “a população ficou muito triste”. “A cidade ficou meio parada, porque a família da Luana é muito conhecida”, explicou.

‘Éramos inseparáveis’

Amiga de Luana desde a adolescência, a também dentista Ana Luíza Gomes Ramos, de 29 anos, estava bastante abalada e chorava a todo instante. Ambas estudaram juntas no colegial e na faculdade. “Éramos inseparáveis. Eu vinha muito para Caiabu e dormia na casa dela. Vivia sempre com ela e a considerava minha irmã”, contou Ana Luíza, aos prantos. “Desde que ela morreu, não passou uma hora sequer sem que eu pensasse na Luana”, complementou.

A amiga contou ainda que Luana era uma pessoa “maravilhosa”. “Ela tratava todo mundo bem. Tinha um coração muito grande. Dava carinho. Ela era realmente uma amiga fiel”, recordou.

Tio de Luana, o prefeito de Caiabu, Dário Marques Pinheiro, de 58 anos, informou que a cidade respeitou o momento de luto vivido pela família desde a semana passada. Até os carros com som alto pararam de circular pelas ruas. “No último domingo, no momento em que era celebrada uma missa em Lisboa, em homenagem a Luana, percebemos que aqui em Caiabu o céu ficou nublado e isso nos impressionou muito. Sentimos que havia uma presença espiritual naquele momento”, descreveu, em entrevista ao iFronteira.

O tio ainda ressaltou que foi muito difícil fazer o traslado do corpo para Caiabu, mas se sentiu “honrado por Deus” ao conseguir possibilitar o velório e o sepultamento em território brasileiro. “Algumas pessoas nos aconselharam a cremar o corpo em Portugal, mas eu fiz um propósito de trazer minha sobrinha para cá, em respeito à dor da minha irmã”, contou. Dário é irmão da professora Lucimar Marques Pinheiro Golin, de 54 anos, mãe de Luana.

Investigações

O delegado da Polícia Civil em Caiabu, Flávio Jolo, que também compareceu ao velório, informou que irá colaborar com as investigações realizadas pelas autoridades de Portugal sobre o crime, naquilo que lhe couber. O marido de Luana foi preso logo depois do crime. O delegado explicou que Marcos Camargo será julgado conforme a legislação portuguesa.

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