NOTIDENTAL: A Toxina Botulínica na odontologia

A toxina botulínica é uma das mais novas aliadas de tratamentos odontológicos. Sua aplicação é uma alternativa para amenizar problemas relacionados à musculatura orofacial, como bruxismo (ranger dos dentes), cefaleia tensional, sorriso gengival (exposição excessiva da gengiva), dores provocadas pela Disfunção Têmporo-Mandibular e apertamento dental.

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“Como o cirurgião-dentista tem amplo conhecimento sobre a anatomia e a estruturas faciais, está apto a utilizar a toxina botulínica como terapia auxiliar na odontologia, desde que possua treinamento sobre a sua utilização”, explica a cirurgiã dentista Karina Ferrão de Azevedo, especialista em periodontia e professora clínica de capacitação em toxina botulínica.


“Com esse uso podemos ampliar as ferramentas no tratamento de pacientes com disfunção mandibular muscular. A toxina é uma terapia de alívio de dor, como à associada ao bruxismo ou à DTM (Disfunção Temporo-Mandibular)”, afirma Fabrício Magalhães, cirurgião-dentista especialista em reabilitação oral e estética.

Hiperfunção

Os especialistas explicam que a toxina age paralisando/relaxando o músculo que está em hiperfunção, devolvendo-lhe o estado de normalidade. “Reduz a atividade do músculo na região aplicada e diminui a contração muscular”, descreve Fabrício.

Segundo Karina, no caso de apertamento (travamento dos dentes) e do bruxismo, que geralmente são de fundo emocional, toxina auxilia a tratar as consequências ao ser aplicada no músculo masseter (principal da mastigação).

“Ele fica em hiperfunção. Ao aplicarmos a toxina devolvemos a função de normalidade ao músculo, reduzindo o desconforto, já que há uma menor pressão. Em alguns casos a pessoa até deixa de usar a placa”, detalha.

Outra forte atuação é no tratamento do sorriso gengival, no qual ocorre exposição de uma faixa maior de gengiva. “O sorriso gengival é quando há um crescimento excessivo vertical do maxilar. Quando não era aplicada a toxina, era feita uma cirurgia”, explica Karina

“Com a toxina ‘baixamos’ a linha do sorriso e temos a vantagem de escolher junto com o paciente a posição que ele deseja que fique o lábio superior, através do teste de palpação digital. A aplicação é feita extra-oral, no músculo levantador do lábio superior e no músculo depressor do septo nasal”, descreve a dentista. “Temos um ganho estético no sorriso gengival com procedimentos menos invasivos em muitos casos”, ressalta Magalhães.

Contraindicações

Embora as contraindicações da toxina botulínica sejam mínimas, pois são raras as reações sistêmicas, alguns efeitos adversos podem ocorrem, como pequenos hematomas no local de aplicação.
“Seu uso é contraindicado em pacientes com hipersensibilidade a qualquer componente do medicamento, miastenia grave (doença autoimune que causa fraqueza muscular crônica) ou doenças do neurônio motor. Também não pode ser aplicado em gestantes, lactantes e em pacientes que façam uso de medicamentos potencializadores do bloqueio muscular”, diz o cirurgião dentista Luciano Artioli Moreira.

O intervalo de aplicação deve ser de seis meses

Os especialistas ressaltam que é preciso ter precisão na frequência das aplicações para que não ocorra o que se chama de “efeito vacina”, quando o organismo produz anticorpos e o produto passa a não ter mais o efeito desejado. O intervalo ideal é de seis. “Após 15 dias da aplicação é marcado um retorno para avaliar a necessidade ou não de retoques”, diz Fabrício.

Mas vale ressaltar que o efeito não é imediato. Ele começa a surgir entre 48 e 72 horas e atinge um pico com sete dias. “Após 15 dias ele tem uma acomodação, ou seja, revela o resultado que irá ficar por cerca de seis meses”, esclarece Karina.

Segundo a dentista, o efeito vai diminuindo gradativamente e varia de acordo com o metabolismo de cada pessoa. “Tem casos que em três ou quatro meses já começa a reduzir o efeito”, diz Karina.




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